Cenário Econômico e Taxa de Juros
1.Em 2023, o Banco Central manteve a taxa Selic em níveis elevados por um longo período (ao redor de 13,75% até meados de 2023), o que teve um impacto significativo no crédito imobiliário, tornando os financiamentos mais caros. Isso afetou principalmente a demanda por imóveis de maior valor, já que os compradores ficaram mais cautelosos devido aos custos elevados com as parcelas de financiamento.
Entretanto, com a expectativa de que a taxa Selic começasse a cair mais rapidamente no segundo semestre de 2023, o mercado imobiliário começava a mostrar sinais de recuperação, especialmente nas grandes capitais.
2. Recuperação do Mercado Imobiliário
Apesar do cenário de juros altos, o mercado imobiliário começou a se recuperar, especialmente nas áreas de lançamentos imobiliários e imóveis de médio e alto padrão. O mercado de imóveis usados também apresentou certa recuperação, à medida que a inflação começava a desacelerar e as expectativas de redução dos juros aumentavam.
A demanda por imóveis residenciais, principalmente em áreas mais afastadas dos centros urbanos, continuou a crescer. Muitas pessoas, especialmente aquelas que passaram a trabalhar de forma remota durante a pandemia, buscaram imóveis maiores em bairros periféricos ou cidades menores, o que também estimulou o mercado.
3. Crescimento do Mercado de Imóveis de Luxo
O segmento de imóveis de luxo e altíssimo padrão (casas e apartamentos de valores superiores a R$ 5 milhões) seguiu em alta, impulsionado por uma combinação de fatores, como a riqueza crescente de algumas camadas da população e o interesse por imóveis que ofereçam maior conforto e segurança.
4. Mudança nas Preferências dos Consumidores
Após a pandemia, muitos brasileiros passaram a preferir imóveis maiores e mais adaptáveis ao home office, com ambientes integrados, mais quartos, áreas de lazer privativas e até mesmo home theaters e escritórios em casa. Além disso, a busca por imóveis sustentáveis e inteligentes (com tecnologias como automação e sistemas de eficiência energética) aumentou, especialmente em grandes cidades.
5. Mercado de Imóveis Comerciais
O setor comercial, por sua vez, sofreu um impacto mais forte devido ao aumento do home office, resultando em uma menor demanda por espaços de escritório. No entanto, já em 2023, havia sinais de recuperação, com o retorno gradual de empresas aos escritórios, especialmente em centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro. O segmento de coworking também passou a ganhar mais relevância, com muitas empresas optando por alugar espaços compartilhados.
6. Aluguéis e Aumento da Rentabilidade
O mercado de aluguéis de imóveis também viu uma recuperação, principalmente devido ao aumento das taxas de juros e à diminuição das condições favoráveis para financiamento de imóveis. Como muitas pessoas não conseguiam mais arcar com o financiamento, recorreram ao aluguel. Além disso, a rentabilidade dos aluguéis também se manteve atraente para investidores, especialmente em cidades com forte demanda, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
7. Crescimento da Infraestrutura e Projetos de Mobilidade
Projetos de infraestrutura urbana, como novas linhas de metrô e expansão de rodovias, também tiveram impacto no mercado imobiliário. Áreas que estavam em expansão devido à melhoria da infraestrutura, como o extremo da Zona Norte de São Paulo e algumas regiões de Minas Gerais, se tornaram mais atraentes tanto para lançamentos quanto para compra de imóveis.